Mesmo com mudanças de hábito, consumidores e empresários ainda enfrentam contas elevadas. Especialista explica o porquê e aponta caminhos para reduzir custos.

Apagar as luzes, reduzir o uso de equipamentos e buscar alternativas para economizar energia já fazem parte da rotina de muitos brasileiros. Ainda assim, uma dúvida continua frequente: por que a conta de luz segue alta mesmo com a redução do consumo? A resposta não está apenas no comportamento do consumidor, mas na forma como a energia elétrica é cobrada no país.
Quando economizar não é suficiente

A empresária Ingrid Santana, proprietária do SushiMix, um restaurante delivery de sushi em Ilhéus, convive com esse cenário na rotina do negócio. Mesmo após adotar medidas para reduzir o consumo de energia, ela não percebeu uma queda significativa no valor da fatura. “Sim, a conta continua alta. O freezer, que antes ficava sempre congelado, agora funciona nesse modo apenas três dias. No restante, fica refrigerando”, explica.
A tentativa de economia, no entanto, não se refletiu no caixa da empresa. “Valores altos apertam no fim do mês”, relata. Ingrid também chama atenção para cobranças que, segundo ela, pesam ainda mais no orçamento: “Sinto que pago caro, principalmente na taxa de energia pública.”
O que realmente compõe a conta de luz
De acordo com Raylson Iglesias, gerente de projetos com mais de 15 anos de experiência em energia, engenharia elétrica e infraestrutura, o valor da conta vai muito além do consumo mensal.
“A conta de energia não depende apenas do consumo em kWh. Ela é composta por geração, transmissão, distribuição, encargos setoriais, tributos e regras regulatórias”, explica.
Na prática, isso significa que reduzir o consumo afeta apenas uma parte da fatura.
Entre os principais componentes da conta estão:
- Tarifa de Energia (TE): custo da geração
- Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD): custo da infraestrutura
- Encargos setoriais: políticas públicas do setor elétrico
- Tributos: como ICMS, PIS e COFINS
- Contribuição de iluminação pública
“Ou seja, o consumidor não paga só pela energia, mas por todo o sistema elétrico”, resume o especialista.

Consumir menos garante pagar menos? Nem sempre.
Uma das maiores frustrações dos consumidores está na expectativa de que reduzir o consumo leve automaticamente à redução da conta.
Segundo Raylson, isso nem sempre acontece.
“Reduzir o consumo diminui a parcela variável da conta, mas outros custos continuam sendo cobrados. Por isso, hoje já é possível consumir menos e ainda assim ter uma conta elevada.”
Erros comuns ao tentar economizar energia
Além da estrutura tarifária, alguns hábitos também podem limitar os resultados da economia.
Entre os erros mais comuns, o especialista destaca:
- Focar apenas em desligar aparelhos, sem avaliar a eficiência dos equipamentos
- Manter eletrodomésticos antigos, que consomem mais energia
- Não acompanhar o consumo ao longo do tempo
- Ignorar horários em que a energia é mais cara
- Esperar que a redução de consumo gere economia proporcional
“Sem gestão e análise, a economia tende a ser limitada”, afirma.
Por que empresas sentem mais o impacto da conta de luz

Para empresas, o peso da energia elétrica no orçamento costuma ser ainda maior.
Isso ocorre principalmente porque, além do consumo, entram fatores como demanda contratada e horários de ponta.
Nesse sentido, qualquer ineficiência escala rapidamente, representando milhares de reais em prejuízo.
“Qualquer ineficiência escala rapidamente. O que é pequeno em uma residência pode representar milhares de reais em uma operação empresarial”, explica Raylson.
Quais são as alternativas para reduzir a conta de luz
Diante desse cenário, reduzir a conta exige uma abordagem mais estratégica.
Segundo o especialista, as principais alternativas envolvem:
- Eficiência energética, com substituição de equipamentos por modelos mais econômicos
- Monitoramento do consumo, com análise de dados e identificação de desperdícios
- Ajuste do perfil de uso, evitando horários de maior custo
- Automação de sistemas, para controle inteligente do consumo
- Geração distribuída, como energia solar
- Migração para o mercado livre de energia, quando aplicável
Além disso, novos modelos vêm ganhando espaço no setor.
“Hoje já existem soluções que conectam consumidores à energia renovável de forma compartilhada, permitindo redução de custos sem necessidade de investimento direto”, destaca.
